Na minha tatuagem, há vários poemas. Há, também, algumas palavras que são significativas. E há – o mais paradoxal – um sufixo.
-RE-
Difícil de explicar. Os últimos dois anos vivi, vivo, um amor não-correspondido. Sem comentários.
Costumo fazer de minhas dificuldades inspirações, e escrever. Não escrevo, porém, há dois anos. Perdi o gosto pela vida. Amei muito intensamente, amei com todo meu ser. Quase desisti. Agora, o sufixo: re.
Mas ficar parado não adianta, não muda nada. Já tentei de tudo, não há esperanças. Aceito, finalmente, isso. Já é hora de me re-inventar. Schopenhauer tinha razão, eu estava lendo demais e não ouvindo minha própria voz.
O ponto de partida. Partir novamente à vida. Pensar tudo de novo (re-pensar). Ponto de partida? Arte e filosofia. Existir não basta, viver poeticamente. Wilde. A fenomenologia – Heidegger, Gadamer, Arendt – me decepcionou. O ateísmo francês moderno (André Comte-Spoinville), ainda mais. Nietzsche é o único com o qual, entre os que li, concordo e discordo plenamente. Ler também Kant, Hegel, Schlegel, a escola de Frankfurt. Walter Benjamin e Montaigne. E literatura? Joyce, Kafka, Machado, Rosa. Mas no final, todos, poetas e filósofos, todos erraram. Então ponto de partida: EU.
-RE-começar tudo.
-RE-começar tudo.
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